Notícias

PPGCCV recebe nota 4 na avaliação quadrienal da Capes
PPGCCV recebe nota 4 na avaliação quadrienal da Capes

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) divulgou na última quarta-feira, 20/09, os resultados da avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu em funcionamento no Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG). Após a etapa de análise...

ler mais
II Curso de Atualização Medicina Nuclear em Cardiologia
II Curso de Atualização Medicina Nuclear em Cardiologia

Nos próximos dias 22 e 23 acontece o II Curso de Atualização Medicina Nuclear em Cardiologia, em São Paulo. Com foco em Problem-Based-Learning, o evento mostrará casos clínicos para discussão do uso das técnicas nucleares seguindo as premissas do melhor teste para o...

ler mais

Quanto vale uma pós-graduação? – Coluna Antônio Gois – 02/10/17

Quanto vale uma pós-graduação?

POR ANTÔNIO GOIS

02/10/2017 06:00

Estudo inédito ​mostra que conclusão de um mestrado ou doutorado aumenta em cerca de 20% a renda do trabalhador

Fazer um curso de mestrado ou doutorado demanda tempo e, em muitos casos, alto gasto pessoal. Por essa razão, é natural o questionamento se esse investimento será compensado futuramente no mercado de trabalho. Uma simples comparação da renda dos trabalhadores com algum diploma de pós-graduação com aqueles que concluíram apenas a graduação sugere à primeira vista que os ganhos são estupendos. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, trabalhadores que concluíram a pós-graduação em 2015 registravam uma renda média de R$ 7.400 mensais, mais que o dobro do que o verificado para a média de R$ 3.600 de quem tinha apenas graduação.

O problema nesta comparação é que ela desconsidera inúmeras características que podem explicar essa diferença salarial e nada têm a ver com o diploma de pós. A depender da região, profissão, gênero, entre outras variáveis, um trabalhador que se matricula num programa de mestrado ou doutorado pode já estar num patamar salarial superior à média de quem não cogita ou não têm condições de fazer esse investimento na carreira. Portanto, para chegarmos mais próximo do quanto de fato um diploma representa em termos salariais, é preciso buscar a comparação entre trabalhadores de perfil semelhante.

Foi exatamente isto que fizeram Rafael Goldszmidt e Diego de Faveri, professores da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-EBAPE). Ao cruzarem as bases de dados da Capes (com informações sobre o perfil dos alunos egressos de cursos de pós) com as da Rais (Relação Anual de Informações Sociais, mantida pelo Ministério do Trabalho) e acompanharem a trajetória desses trabalhadores ao longo do tempo, os pesquisadores identificaram que a conclusão de um mestrado ou doutorado têm de fato impacto positivo na remuneração formal. Mas, como era de se esperar, ele é bastante inferior aos percentuais encontrados numa comparação simples.

Para quem conclui um mestrado acadêmico (stricto sensu), o retorno financeiro é da ordem de 23% a mais no salário em comparação com um trabalhador de características semelhantes, mas que não concluiu essa etapa. No caso do metrado profissional, o percentual encontrado foi de 19%. A conclusão de um doutorado também gera retornos salariais semelhantes, de aproximadamente 20%, na comparação com quem concluiu apenas um mestrado.

Goldszmidt e Faveri investigaram também outras questões relevantes. Uma delas é saber se o mercado está pagando mais para aquele profissional pelo efeito do diploma (o empregador identifica que o trabalhador tem um título de mestrado e doutorado e principalmente por isso tende a pagar mais a ele) ou se foi o conhecimento acumulado no curso que leva a uma melhoria salarial. Essa conta é feita principalmente analisando se o retorno financeiro acontece imediatamente após a obtenção do diploma, ou se é gradual ao longo do curso. A conclusão dos autores é de que o efeito diploma de fato é significativo, sendo maior no mestrado e doutorado acadêmicos, o que pode ser explicado em parte pelo fato de em muitas carreiras, especialmente no setor público, a obtenção do diploma estar legalmente associada a uma valorização salarial.

Outra conclusão interessante do estudo dos pesquisadores é que, para mulheres, a obtenção de um título de mestrado ou doutorado, apesar de ter efeitos positivos em sua renda individual, é insuficiente para reduzir a desigualdade de gênero, pois, mesmo tendo igual titulação, elas acabam recebendo menos no mercado de trabalho do que os homens com características semelhantes.

Mesmo sendo muito menor do que o verificado numa comparação simples, o retorno de um título de pós-graduação em termos salariais continua sendo significativo. O trabalho de Goldszmidt e Faveri nos ajuda a entender ​melhor ​como acontece esse retorno e quem mais se beneficia dele.

Translate »
Ir para o conteúdo